Mais uma vez, campeões… de queda


Produção industrial brasileira apresenta maior queda entre as 20 grandes economias do mundo

CLECI LEÃO / GUIA MARÍTIMO

A Análise Econômica Consultoria divulgou, na última quinta-feira (03), um levantamento segundo o qual, entre as 20 maiores economias mundiais, o Brasil foi o país que mais recuou na produção industrial nos últimos meses. “A queda brasileira registrada em setembro é de 4,80% na comparação com igual mês do ano passado, ao passo que a produção canadense, com crescimento de 9% em junho na comparação com o mesmo mês em 2015, é a que mais aumentou”, explica o relatório.

O cenário foi de queda em seis das nações comparadas, entre elas os EUA, que lideram o ranking, porém apresentaram queda de 1% na sua produção. Rússia, Suíça, Coreia e Holanda também tiveram resultados negativos na comparação mês a mês, revelaram os dados da consultoria.

No caso do Brasil, a Análise Econômica credita o mau resultado à falta de investimento m Pesquisa e Desenvolvimento, em infraestrutura (por parte do Estado) e à omissão do governo diante dos sinais macroeconômicos – câmbio sobrevalorizado por período muito longo –, além da taxa Selic (hoje em 14%), o que, de acordo com André Galhardo Fernandes, economista-chefe da consultoria, acabou trazendo efeito inverso do esperado, incentivando investimentos no mercado financeiro em detrimento dos ativos físicos, ou seja, da produção real. “Isso causa problema de oferta e ‘oligopolização’ de setores. Em parte, a política monetária contracionista, Selic elevada, gerou descontrole inflacionário ao invés de controlar os preços”, explicou o economista.

Nesse cenário cheio de adversidades, o diretor de estudos econômicos da consultoria, Franklin Lacerda, explica que as mudanças na produção causadas pela tecnologia e pelas necessidades do mercado não foram acompanhadas pelo governo, o que vem contribuindo para os maus resultados. Segundo especialista, “o Brasil, que estava enfrentando um intenso ajuste para reduzir a inflação ao longo da década de 1990, e em busca de diminuir a pobreza ao longo dos anos 2000, negligenciou em grande medida a indústria. Esse impacto está sendo sentido agora, com maior ênfase por conta da atual crise e de outras variáveis”. Diante das transformações na indústria, e da situação econômica do país, Franklin Lacerda aproveita para deixar um alerta: “Precisamos de um novo plano para colocar a economia nos eixos, olhando para o longo prazo e levando em conta as transformações em curso”.

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