Exportações do agro serão cruciais para retomada da economia no pós-pandemia


17/05/2020 – Agro em Dia
O agro não para. A frase que tem sido repetida Brasil afora nestes dias de pandemia de covid-19 ecoa além muito além de nossas fronteiras. Afinal, o trabalho dos produtores rurais brasileiros e dos demais elos da cadeia do agronegócio não é essencial apenas para levar comida às mesas de nossos mais de 200 milhões de compatriotas, mas é igualmente fundamental para garantir a segurança alimentar de cerca de 1,4 bilhão de pessoas em outras partes do planeta. São mercados que dependem de nossa produção agropecuária, mas que em troca nos asseguram empregos aqui dentro e divisas para movimentar nossa economia.
O comércio exterior é feito de inúmeras rotas marítimas, aéreas, rodoviárias, ferroviárias, destinos e trocas. É um vai e vem incessante, onde todos vendem e compram. Há nesse universo milhares de digitais envolvidas em suas transações. No caso do agro, vão desde as dos produtores rurais, dentro de suas propriedades, até as dos exportadores, passando pela agroindústria e pelos demais elos da cadeia. Há também uma forte presença dos governos, porque são eles que criam as condições que permitem a realização dos negócios. Por aqui, o nosso grande parceiro no comércio exterior é o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
De janeiro de 2019 até março deste ano, o Brasil conquistou 48 novos mercados, em 21 países diferentes, com a diversificação de produtos e destinos, segundo levantamento divulgado recentemente pela Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), com base no trabalho desenvolvido pelo Mapa. De acordo com o presidente da FPA, deputado federal Alceu Moreira (MDB/RS), com investimentos em tecnologia e juros justos, o Brasil tem condições de elevar em 20% a produção agrícola, em menos de cinco anos, para manter a plena garantia da segurança alimentar mundial. Ou seja, seremos cada vez mais o celeiro global.
Mas para que continuemos produzindo em abundância precisamos manter a parceria com nossos importadores, que são extremamente exigentes em relação à qualidade, sanidade e preços. Além disso, temos que estar preparados para enfrentar nossos concorrentes, que também querem ter fatias cada vez maiores do mercado global. Logo, temos que ter clareza de que só seguiremos adiante na ampliação de nossa participação no mercado agrícola mundial se estivermos atentos a todas as questões que envolvem essas relações, sem nos deixar contaminar por interesses outros, que não sejam os comerciais.
Hoje, o nosso grande parceiro comercial no agronegócio é a China, como mostram os indesmentíveis números da balança comercial do Ministério da Economia. Ao se comparar as nossas exportações no primeiro quadrimestre deste ano, em relação a igual período do ano passado, veremos que o país asiático comprou muito mais do Brasil que a União Europeia e que os Estados Unidos. Aliás, a China tem sido o nosso principal importador desde 2009.
No primeiro quadrimestre de 2020 as exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 31,40 bilhões, com aumento de 5,9% em relação ao mesmo período no ano anterior. Deste total, US$ 11,85 bilhões foram vendidos para a China. As compras do país asiático tiveram, nesses primeiros quatro meses do ano, alta recorde histórica de 37,7%, resultado de um incremento de 26,2% nas vendas externas para aquele mercado. A China foi destino de quase 80% de todos os nossos embarques de soja em grãos para o mundo, além de ter aumentado expressivamente as importações de carnes.
As exportações para a China superaram a soma das vendas externas para outros nove principais mercados brasileiros: União Europeia (16,4% de participação), Estados Unidos (6,1%), Japão (2,2%), Bangladesh (2,1%), Turquia (2,0%), Hong Kong (1,9%), Tailândia (1,9%), Arábia Saudita (1,9%) e Indonésia (1,8%).
Estes números são importantes não apenas pelo volume, mas porque também demonstram o interesse crescente da China de importar produtos do agro brasileiro. É claro que precisamos diversificar nossos mercados, até mesmo para não ficarmos dependente de um único importador. No entanto, não podemos permitir que interesses outros, por vezes alimentados de fora para dentro por nossos concorrentes, criem obstáculos a nossa exitosa trajetória no comércio agrícola internacional. Até mesmo porque as exportações agropecuárias representam hoje 46,6% de todos os embarques do Brasil.
Vamos exportar a qualidade e a sanidade de nossos produtos agropecuários como bons e sérios vendedores, respeitando sempre nossos clientes para trazer mais divisas e retomar a geração de empregos no cenário pós-pandemia. Mais do que nunca, as vendas externas serão crucias para recuperação econômica brasileira depois que a ciência conseguir nos livrar da ameaça do novo coronavírus.
Portanto, exportemos com uma única bandeira à nossa frente: a verde e amarela do Brasil. Nas relações comerciais, não há espaço para paixões. Só para negócios.

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